Olha quem fala...

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Salvador, Bahia, Brazil
Brasileiro. 20 anos. Nascido e criado em Salvador, Bahia. Filho de Paulo e Valdete. Tem cabelos pretos que, quando compridos, formam cachos. Pele morena. Tem por volta de 80 kg. Não tem certeza quanto à estatura, mas acha que está entre 1,68 e 1,70. Cursa Engenharia Elétrica no IFBA. Fala demais e dessa forma costuma esconder o que realmente quer dizer. Escreve por diversão, ou para extravasar. Tem medo de ser considerado arrogante ou convencido. É pessimista, mas está tentando mudar isso. Não usa nenhum tipo de droga, não bebe nem fuma. É vegetariano. Gosta de temas policiais, suspense e romance. Ele é besta.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Do outro lado do Abismo

E então eu retorno a essas páginas. Reler meus textos me faz pensar sobre o quanto tudo mudou. É tudo tão diferente, e eu vejo o quanto essa mudança foi importante.

Estou do outro lado do abismo. Tive a coragem de pisar por todo o caminho, seja gelo ou seja uma fina corda, que tive medo de ultrapassar. Olho para trás e imagino como seria minha vida se ainda estivesse sob o gelo. Na verdade, imaginar como seria é bastante difícil para mim. Me faz voltar para as memórias do gelo, coisa que para mim ficou muito para trás. Mas o que me surpreende, agora deste lado, é não estar sozinho.

Não estou sozinho, o que pra mim parecia impossível. O mundo sempre foi hostil demais para me permitir sequer sonhar com a possibilidade. Era numericamente improvável encontrar reciprocidade em um sentimento e o vazio, o vácuo, sempre persistia. Pode parecer piegas, mas tudo isso foi necessário para formar quem sou hoje. Não poderia viver isso sem passar por todas as intempéries do gelo e o medo da corda sobre o abismo. O tempo sob o gelo me amadureceu, me fez sentir tanto o vácuo que hoje valorizo cada segundo em que este está preenchido. Uma vez disse que tudo que é antinatural exige um esforço redobrado e certa feita disse que a existência do vácuo era contra a natureza das coisas. Incrível como não tinha percebido isso até agora.

Olho para o lado e vejo que estou com a pessoa que sempre busquei, como na metáfora do garimpo, a pedra preciosa que mudaria sua vida. Sinto-me como se os fogos de artifício tivessem congelado em pleno ar, para que pudesse admirar eternamente sua beleza. Sempre soube que as palavras têm poder, mas não poderia imaginar que usaria uma das mais poderosas com tanta propriedade. O mundo está repleto de realidades, pontos de vista, mas o mundo que vejo agora me parece muito mais bonito, mais até do que eu sonhava do outro lado do abismo. Sinto que caminho em linha reta, linha reta e de mãos dadas, nunca mais naquele maldito ciclo em que eu conseguia me enganar. Deixei de ser o sol, não sou mais uma mina de carvão para um canário e não posso mais imaginar ou sonhar a luz, agora que a luz está ao meu lado. O paradoxo da proximidade se foi.

Agora minha vida já não é mais um papel em branco, como imaginava ser. Agora escrevo novas linhas, novos caminhos, novos capítulos na história que podemos chamar de vida. Estes capítulos estão cheios dessa alegria que me toma e me faz escrever na madrugada de um dia maravilhoso. Estes capítulos estão cheios da presença de quem tornou tudo isso possível e que transformou aquele que vivia sob o gelo. E esta pessoa está ao meu lado, comigo deste lado, onde nada pode nos acontecer que não seja causado por nós mesmos. Sinto-me invencível deste lado do abismo e tudo isso graças à minha companhia.

Olho para minhas mãos, incrédulo. Não consigo acreditar que tudo passou e o sinal de tudo isso está em minhas mãos. Está nos olhos de quem está ao meu lado. Está escrito em linhas marcantes naquele papel. Sinto que agora todas as páginas estão marcadas com um nome, o nome que me fez mudar. O nome que me fez escrever essas derradeiras linhas, que me faz quem sou hoje: a pessoa mais feliz que poderia conhecer. Mal posso acreditar que não é um sonho e que esta pessoa está ao meu lado, me pego pensando se mereço tudo isso. Se não merecer, obrigado pela generosidade, aceito de bom grado e bom coração.

Uma das minhas maiores promessas foi cumprida. A promessa que me impeliu em muitos casos e que me impediu em quase todos. Não mais mentir sobre este sentimento, ou não mais falar uma determinada frase foi a promessa. E sigo essa promessa, pois agora posso livremente fazê-lo, por que tudo o que sinto é real. Incrível e inebriantemente real. Nunca pensei que fosse falar isso de todo o coração, mas agora o faço e faria mais e mais vezes se fosse necessário. Isso tudo por você que está ao meu lado

Estas são minhas derradeiras linhas nesse papel. Não mais voltarei a manchá-lo, pois sinto que quem está ao meu lado pode compreender toda a profundidade que existe em mim. Não significa que largarei a pena, mas que agora, este lugar não é mais meu. Sinto como se as minhas antigas linhas pertencessem ao passado, ao meu eu passado, que vivia sob o gelo. Hoje caminho sobre a terra, de mãos dadas e mirando o futuro. Não soltarei essa mão jamais. E isso é pra você, Rafaela.

E aqui jaz o meu grande amigo, meu maior confidente. Vá em paz, Deep Outside. Se um dia reviver estas linhas, que seja para um novo mundo. Caros leitores, este é o fim do meu blog, espero que tenham aproveitado tanto quanto eu. Fin.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Paradoxo da Proximidade

Eu não estou acostumado com isso. As coisas sempre me pareceram hostis, sempre mostrando uma forma de me por contra a parede. Meus textos refletem isso, eu sempre falo de uma espécie de duelo que a minha vida insiste em colocar na minha frente. Mas agora as coisas começam a mudar.
De certa forma, claro, são outros desafios, começo a vê-los agora. Mas é algo tão reconfortante que eu tenho medo que me escape pelos dedos. Que escape e a vida volte a dizer "bem vindo ao mundo hostil que você conheceu". Conheceu e aprendeu a viver.
Momentos que preferia congelados, imagens que nunca imaginei. Sou eu mesmo ali? É estranho, mas me faz querer seguir, um passo de cada vez, tenho medo de tropeçar e cair no abismo. Cheguei na corda bamba, o gelo parece ter ficado para trás. E é ai que surge o paradoxo da proximidade.
Quanto mais me aproximo do outro extremo, mais tenho medo de que tudo se esvaia. E ai eu me seguro forte, me aproximo mais. Mas o medo novamente ataca, tenho medo de sufocar e deixar morrer justamente pelo medo de que se esvaia. E sufocar tudo em volta, de incomodar tudo em volta com meus medos.
Por isso existe este blog, entre outras coisas, para escutar meus medos.

SIM! Eu ainda escrevo! Fim de semestre me jantando e as coisas tem estado tão corridas que mal tenho inspiração. Hoje comi feijão sem sal.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Sol

Não é de hoje que percebo o quanto eu me retraio quando deveria me soltar. Sinto-me como se estivesse amarrado, como se uma âncora me puxasse para trás. Vícios de ação antigos acabaram por prejudicar minhas atitudes hoje.
Eu tenho uma personalidade que engana as pessoas. Na verdade, creio que é mais um vício. Quando me conhecem, as pessoas acham que conhecem tudo de mim, o que não é verdade. É como se eu corresse a favor do Sol e quem visse, não conseguisse me enxergar de todo. E, confiando no que vê, a pessoa crê que aquilo que viu é o bastante. Mas aquele não sou eu de todo.
O resumo desse pequeno texto é que eu tenho que rever como me vêem. Não se trata de mudar por causa do mundo, mas sim de ser mais natural com um outro lado meu.

!@#$, Murilo! Passa tanto tempo sem escrever pra vir e dizer só isso?! Mas pelo menos é um retorno

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

You're a canary, I'm a coalmine

Eu sou uma pedra. Pedras são antigas, muito viram e pouco as abala. Pedras ficam muito tempo meditando em si mesmas, paradas, enquanto tudo se move. Frio ou fogo, nada as fende e lá elas permanecem. São indiferentes à escuridão e tudo o que sonham está em movimento.
E eis que surge a luz. Um sorriso luminoso capaz de fender os céus. as como é possível que outros não enxerguem? Olhos para ver a alma, olhar profundo mas vivo. Mesmo assim, querem escurecer tudo a sua volta, tentando apagar o esplendor da luz. Ingênuos, pois é na escuridão que a luz se fortalece.
Ora, a luz é a mais nobre, a que se move quando quer. Pedra, como sou, não posso alcançar, jovem e bela é a luz. Deve ser livre, não imóvel como eu, rocha sólida e antiga. Os anos a tornarão mais bela, e ainda assim, sem pena eles passarão por mim. Tudo o que posso fazer é ver, contemplar, e ao futuro pertence as decisões. As pedras conhecem a força do tempo que as marca. E ao futuro pertence o esplendor da luz.
E eu imóvel sonho com a luz, com sua beleza e liberdade. E a mim resta ver o tempo passar.